Grandeza bolivariana, bom senso e ... miséria "democrática"

O governo da Venezuela socorre com oxigênio o povo de Manaus, vítima da irresponsabilidade criminosa do governo Bolsonaro.

21/01/2021
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Movimentos populares frente a embaixada da Venezuela em Brasília
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Mais uma vez, o governo da Venezuela volta a demostrar ao mundo o que é a grandeza humanista bolivariana. A disposição clara e inquestionável de socorrer com oxigênio o povo de Manaus, vítima da irresponsabilidade criminosa do governo Bolsonaro, virou o centro dos noticiários e das tendências nas redes. De repente, o amaldiçoado governo do "ditador" Maduro revelou que o rei fascista do Planalto está nu e que as roupas que vestem alguns "democratas" são peças elegantes somente para quem vê de longe. De perto, nota-se que estão completamente rasgadas, especialmente na hora de opinar contra um governo revolucionário real que a todo custo pretendem enquadrar em sua dogmática e impotente teoria "liberal democrática".

 

Frente a um fato político que a mídia foi obrigada a noticiar, bolsonaristas e "democratas" têm guardado absoluto silêncio. Ambos, curiosamente, coincidem em que não podem dar nenhum crédito a Maduro, o "ditador". Imagina comprometerem a sua pureza democrática ficando do lado desse "regime"!? Por isso o candidato que ontem, amanhã e sempre se considera "o único capaz de vencer Bolsonaro" aplicou de novo sua teoria da calculadora. Da vez passada, para não se comprometer e fortalecer o campo democrático e popular, viajou para a Europa. Agora faz de conta que a iniciativa da Venezuela não existe. Assim não incomoda seus pretensos e futuros acordos eleitorais pela direita, pensando na sua obsessão presidencial em 2022.

 

Mostrando o bom senso que os liberais democratas usam apenas quando lhes convêm, o governador do Amazonas, Wilson Miranda, eleito na onda bolsonarista, agradeceu sem duvidar ao governo venezuelano.

 

Pelo campo democrático e popular, a resposta clara, de compromisso e sem vacilações foi dada pelo ex-presidente Lula, a principal referência nacional do Brasil humanista, livre e soberano. Disse Lula: "... saúdo o governo do presidente @NicolasMaduro, da Venezuela, que em um gesto de solidariedade latino-americana, ofereceu socorro e transporte de oxigênio à cidade de Manaus". Uma lição de grandeza que desmascara a miséria sectária daqueles que por trás de uma verborreia democrática, tentam esconder que padecem da Síndrome de Venezuela.

 

Trata-se de um conjunto de indivíduos que, recorrentemente, sentem uma compulsão psicológica disfarçada de crítica política para se posicionarem contra "governos autoritários sustentados pelo Exército, com apoio popular (como Maduro)". Ou, que de forma surreal, atacam o governo da Venezuela quando estão falando de outro assunto. Foi o que aconteceu no segundo turno das eleições municipais em Porto Alegre. Houve pessoas que na hora de declararem seu apoio a Manuela D'Ávila, acharam pertinente deixar claro o seu "não apoio ao regime Venezuelano". Como se diz popularmente, o que tem a ver o c... com as calças? Quantos votos ganhou a Manu com essa importantíssima declaração? Puro fanatismo "cabeça" contra a Venezuela.

 

Vou ser claro e sem meias tintas: quem não tiver a grandeza de defender a revolução bolivariana (mantendo suas críticas), está incapacitado moral, intelectual e politicamente para lutar por um Brasil democrático, livre, soberano e independente, capaz de levar adiante políticas sociais em favor das grandes maiorias. Quem não entender que a luta contra as forças conservadoras e reacionárias no seu país só terá sucesso se ela estiver articulada com a luta dos países, governos e povos que estão construindo o novo mundo multipolar que emerge, pertence ao passado e encontra-se completamente por fora das lutas reais que acontecem hoje no mundo.

 

Ao contrário deles, o ex-presidente Lula, simbolizando a sabedoria das forças democráticas e populares, prova que conhece a importância estratégica da construção da Pátria Grande Latino-americana e Caribenha. Lula tem plena consciência que a unidade de nosso continente é vital para alavancar esse mundo novo que os povos em luta estão construindo.

 

- Anisio Pires é sociólogo venezuelano (UFRGS/Brasil), professor da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV).

 

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